sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Platôs, Banhado e Depósito

platô casa mãe
platô casa de apoio
Tínhamos a intenção de construir manualmente os platôs das áreas das casas. Conferindo o nível, com o auxílio de uma mangueira de nível, observamos um grande desnível, maior do que pensávamos a olho nú.

Tínhamos, aproximadamente, 1,5m de desnível na casa mãe e quase 2m na casa de apoio, inviabilizando o trabalho manual, considerando que teríamos um gasto energético desnecessário e que levaria muito tempo.

Dessa forma, contratamos novamente a retroescavadeira e eles executaram esse serviço, construindo os platôs para as duas casas e uma estrada que liga uma a outra.

Dias antes da máquina vir construir os platôs, realizamos uma limpeza leve no banhado com o objetivo de verificar a profundidade e avaliar se a retroescavadeira teria condições de entrar para aprofundar, aumentar e limpar esse pequeno lago.

Observamos que o banhado tem, no centro, 80cm de profundidade aproximadamente, logo, temos um bom reservatório de água que pode ser aumentado e isso deve acontecer.

Confirmamos com o Fubá, operador da máquina, que não teria como trabalhar ali pois a máquina afunda nas bordas e que para esse trabalho seria necessário uma máquina de esteira.

Durante esse período tivemos algumas chuvas e observamos o caminho que a água faz pelo acesso principal. 

Não tivemos problemas, mas abrimos uma pequena vala que direciona a água da chuva para uma área com árvores, diminuindo o impacto da água no acesso.

Construimos um depósito provisório para abrigarmos as ferramentas, sementes e insumos, pois a construção das casas foi adiada devido a pequenos desafios financeiros.
Os únicos materiais que precisamos comprar foram as placas para fechamento lateral e as telhas, os outros materiais foram provenientes de doações e trocas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Acesso, Energia Elétrica e Recursos Locais

corte sendo executado
Contratamos uma pessoa para a execução da abertura do acesso principal no terreno. O operador da máquina foi o Fubá, um rapaz bem novo porém muito cuidadoso e competente. Utilizamos uma retroescavadeira de médio porte que foi suficiente para a nossa situação.

Para “vencermos” a inclinação que temos na entrada precisamos fazer um corte, que por sinal foi muito bem feito, com uma leve inclinação para dentro fazendo com que a água da chuva não escorra morro abaixo.

platô para estacionamento sendo feito
Logo na entrada, à esquerda de quem entra, criamos um platô de aproximadamente 250 m2 com a finalidade de estacionamento, visto que o acesso principal será utilizado somente para veículos de serviço e transporte para deficientes, idosos e gestantes. 

Assim que foi realizada essa etapa, mostrei para um amigo arquiteto que trabalha com feng shui e ele avaliou que a entrada do espaço com essa movimentação em "S" faz com que a energia já entre se movimentando e quebrando a estagnação energética. http://kanyuarquitetura.webs.com/home.htm
vista superior do acesso principal
poste sendo colocado







Concluída essa movimentação de terra, adquirimos o poste padrão e pedimos ligação à rede convencional de energia elétrica. Vamos precisar de eletricidade para as ferramentas durante a construção do espaço e depois para termos um sistema híbrido de geração elétrica.

monte de pedras no primeiro plano e ao fundo
Passamos por um grande período de seca, sendo assim semeamos pouca área com adubo verde de inverno e dedicamos um tempo para movimentação de pedras. Temos uma demanda de pedras para as estruturas das construções e nesse período movimentamos aproximadamente 15 toneladas de pedra do próprio terreno.

verificando a profundidade no local pontuado
Ainda não tínhamos visto a questão do abastecimento de água potável, estávamos contando com o poço do vizinho Hermes que gentilmente nos cedeu o uso, porém precisamos ter certa autonomia em relação a esse elemento tão fundamental à VIDA! Contatamos o próprio Hermes para saber quem havia pontuado o poço dele e nos indicou o Sr. Imre Lajos.

Gabriel e Sr. Imre
Telefonei para Sr. Imre e percebi pelo nome e pelo sotaque que era europeu. Marcamos uma visita para realização um levantamento de água subterrânea através da radiestesia. Sr. Imre tem 83 anos, é engenheiro agrônomo aposentado e trabalha profissionalmente com radiestesia há mais de 40 anos, recebeu esse conhecimento de seu pai e de seu tio, ainda na Europa e percebemos que ama o que faz. É impressionante a concentração, conexão e dedicação com que executa seu trabalho. Imre tem um livro editado sobre o tema e quem quiser contato com ele nos escreva que passaremos.

Após meio dia de trabalho, Sr. Imre pontuou um local onde teríamos água suficiente para nossa demanda, nos informou profundidade e vazão aproximadas podendo ter um erro de 10 a 15%.


rascunho do levantamento de água subterrânea

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Projeto Executivo e Detalhes Construtivos

projeto executivo global

Durante algumas reuniões detalhamos as construções, demos início ao desenho das plantas baixas, dos acessos internos com as construções locadas, dessa forma podemos visualizar com mais clareza o projeto executivo global da área.

O apoio técnico do Comitê Técnico foi de fundamental importância, ressaltando a orientação essencial da arquiteta Maria Augusta Justi Pisani e do Eng. Civil Alfredo Pisani.

No detalhamento do projeto da casa mãe e casa de apoio foram abordados os seguintes aspectos:

Estrutura; Preenchimento; Cobertura; Fontes de Energia Elétrica; Banheiro e Tratamento de Águas Negras e Cinzas.

casa de apoio, face oeste
Dessa forma foi decidido que a estrutura será em madeira sobre pedras, preenchimento de adobe, cobertura de telhas onduline (casa mãe) e telhado verde (casa de apoio), a energia elétrica proveniente da rede convencional, de placas fotovoltaicas e de um microgerador eólico, teremos um banheiro completo com lavatório externo e aquecimento solar para um chuveiro, o tratamento das águas negras será feito através de bacia de evapotranspiração e as águas cinzas serão reaproveitadas em círculos de bananeiras.

casa mãe, face norte
Combinamos de procurarmos e cotarmos portas, janelas e madeiras em casas de materiais de demolição, o que já está sendo feito. Temos um pequeno empecilho que deve ser vencido que é o alto preço dos materiais usados.


Fizemos alguns testes com dois tamanhos de forma para o adobe 20 x 20 x 30cm e 20 x 15 x 30cm usando cal e palha de arroz. Os melhores resultados foram os que usamos palha de arroz, sem cal com o barro amarelado (usamos barro amarelo e vermelho) e ainda não executamos testes de resistência.

forma 20 x 15 x 30cm com dois tijolos

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Adubação verde de inverno

Osmar e Abelardo observando a preparação do solo
O tempo passou e não conseguimos semear durante a primavera/verão 2009 com o clima mais quente e úmido, sendo assim seguimos as direções que foram colocadas e plantamos, no início da época fria, sementes de tremoço, nabo forrageiro e ervilhaca para iniciarmos o trabalho de complexificação da vida naquele local.

Para esse trabalho contamos com o apoio do Dr. Jorge um vizinho muito querido que nos emprestou o trator para roçarmos, ararmos e gradearmos o solo.
Dentro de algumas opções, escolhemos usar o trator para observarmos como seria essa experiência. Conseguimos preparar o solo dessa forma somente em 4 talhões da gleba 1.

O local é muito “apertado” e precisa de um pouco mais de atenção nos detalhes, sendo que o trator é algo realmente bruto.

Após observações cuidadosas de Osmar e Abelardo da CATI/SP decidimos parar com o trabalho do trator, por alguns motivos que podemos detalhar particularmente a quem interesse.

Lembrando também que contamos com a ajuda do Camping Chapéu de Sol – www.campingchapeudesol.com.br – através do empréstimo da roçadeira para trator, que foi fundamental para cortarmos a braquiaria para que conseguíssemos entrar com o arado na área.


plantas com aproximadamente 30 dias
O crescimento das plantas se deu de forma lenta pela falta de chuvas no inverno e dias muito quentes também. Mas de qualquer forma atingimos nosso objetivo maior que é a complexificação de vida no sistema!!!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Plantios em nível

curvas em nível já roçadas
Conforme as orientações, demarcamos e plantamos os cordões vegetais para contensão/infiltração de águas pluviais e geração de recursos (matéria orgânica, melado, garapa), ajudando também na visualização das áreas divididas em talhões, podendo assim organizar melhor o trabalho no dia a dia.

Para iniciarmos o plantio precisávamos roçar a braquiária que estava muito alta e conseguimos desenvolver uma parceria com a FIORAMAQ Motores e Mangueiras – www.fioramaq.com.br – essa parceria consiste no empréstimo de roçadeiras costais para nossos trabalhos, com um aviso prévio.
www.fioramaq.com.br
Contratamos Ticaca, como ajudante na execução das diversas tarefas do projeto, iniciando pelo plantio dessas curvas em nível.

Após o plantio das canas de açúcar em nível, logo no momento de brotação sofremos alguns “saques” de elementos externos ao sistema. Animais de vizinhos sentiram o cheiro da brotação da cana e acabaram estourando a cerca em três momentos.

Ticaca ao fundo e as canas sendo plantadas
Após esses incidentes resolvemos investir mais um pouco no cercamento e instalamos arames lisos com um aparelho de choque elétrico específico para bovinos. Isso nos ajudou muito no crescimento da cerca viva e das canas de açúcar que vem rebrotando com muita força e vida!!!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Direções para Agricultura

Teremos no Ingá Sustentável três situações de cultivo: horta, roça policultivada e agrofloresta. Assim sendo, distribuímos geograficamente essas áreas em locais propícios às características de implantação e manejo de cada sistema produtivo.

A horta ficou posicionada próxima à casa mãe, em uma área relativamente plana aonde recebe insolação durante todo o dia todo. As áreas de roça estão distribuídas nas áreas mais planas do terreno, porém um pouco mais distantes da casa, grande parte dessa área está posicionada com face norte. As áreas para agrofloresta  estão posicionadas nas áreas com mais declive e próximas aos remanescentes florestais.
Osmar e o pé de galinha

Após a definição do posicionamente geográfico, estritamente vinculado ao zoneamento, iniciamos o processo de planejamento de plantio e definição de prioridades. Nossa prioridade foi a recuperação da vida do solo, para tanto iniciamos os trabalhos nas áreas de roça policultivada.

Dividimos essa área em 2 glebas, priorizando a área onde temos maior insolação. Com a ajuda do Osmar montamos um nível de campo "pé de galinha" para delinearmos curvas em nível a casa 2,5m.

Nessas curvas em nível plantamos cana de açúcar, com a intenção de criar cordões vegetais produtivos, aonde ajudamos a otimizar a infiltração de água, geramos matéria orgânica para cobertura vegetal, e também podemos produzir garapa, melado e rapadura.

Em reunião com Denise e Osmar definimos alguns parâmetros para os cultivos em geral. A priorização da gleba 1, com maior insolação, para plantio de adubos verdes e variedades mais comerciais, enquanto na gleba 2 focamos o plantio de adubação verde para recuperação da área e para suceder o capim bráquiaria que domina em boa parte do terreno.

Com a ajuda da Denise e de um aparelho GPS medimos a área das glebas 1 e 2, tendo um pouco mais de 11.000 m2 de área para plantio, sem descontar bolsão de estacionamento, acessos e área das casas.

Os passos para o plantio são: roçada, preparo do solo e semeadura, sendo que dentro desses 3 momentos temos algumas opções válidas as quais vamos abordar nas próximas postagens.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

II Reunião do Comitê Técnico

Anterior à II reunião com o Comitê Técnico já estávamos fazendo estudos e observações visuais e pelo mapa para definirmos aonde seria o melhor local para abrirmos o acesso principal. A entrada do terreno situa-se a sudoeste e temos uma grande aclividade.
Esboço do acesso principal em preto

Chegamos a conclusão de que os carros que transitariam por esse acesso seriam veículos de serviço com insumos, ferramentas, etc. e veículos para pessoas portadoras de deficiência, idosos ou gestantes. Todos os outros veículos devem ficar em um bolsão de estacionamento logo na entrada e as pessoas circulam a pé pela área.

Durante a reunião o ponto mais abordado foi o posicionamento dos principais elementos do sistema (casa mãe, casa de apoio e áreas de plantio). Maria Augusta apresentou ideias para as construções e posicionamento das edificações, bem como nos esclareceu a respeito do conceito de sustentabilidade que deve ser usado durante o ciclo de vida do projeto.

Esse conceito que já vimos usando no Ingá Sustentável é baseado nas pesquisas de Ignacy SACHS (1995) e atende as cinco dimensões da sustentabilidade, que são:

- sustentabilidade social;
- sustentabilidade econômica;
- sustentabilidade ecológica;
- sustentabilidade espacial;
- sustentabilidade cultural.

Estavam presentes Maria Elisa e seu neto primogênito, Maria Augusta, Alfredo, Luís César, Gabriel e Denise (na foto abaixo da dir. para a esq.). Concluimos a reunião com um delicioso almoço na casa de nossos anfitriões Luís César e Maria Elisa Menezes.


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Visita CATI/SP

Osmar

Recebemos a visita técnica de Osmar e Abelardo, ambos da CATI/SP.

Tivemos uma breve reunião com Luís César e Maria Elisa Menezes, logo depois nos dirigimos à área.

A visita teve como objetivo a apresentação do projeto para o Abelardo e a busca de água em algum local no entorno da área. Abelardo ficou entusiasmado com o projeto e com o local e ambos plantaram algumas mudas para a cerca viva.
Abelardo

Apesar da incessante busca por brotamento de água no entorno, ainda não encontramos nada.